Versos Violeta
Fonte do saber
Tenho sede
Minha sede é de aprender e vivenciar
Nas folhas do Outono escrever
No gelo branco da neve trenar
Com a Primavera quero florescer
E com perseverança não desanimar
Tal borboleta com asas renascer
Em metamorfose me transformar
E mudar... mudar
Com sabedoria criar em liberdade
Beber da chuva e minha sede saciar
A sede de crescer e de versar
E nas luzes da mente a faculdade
Das ciências, aritmética, e cálculo mental
Me quero libertar
No pó da terra minhas mãos envolvo
Na arte da cultura semearei meu sonho
E com lama pintarei na tela
O arco-íris em nuvens da fantasia
Na ânsia de concretizar minha utopia
Violeta de Sousa
Amor imperfeito
O dia acabou noite escura e fria
Lá fora o gato mia
Pela fêmea cia
Nos lençóis de veludo me deito
E já sinto no meu peito
Aquele suspiro amargo e doce
Na ânsia de dormir ao luar
E sonhar...
De conchinha no leito
O teu corpo bronzeado no meu
Na fina areia sob o azul me deito
E me banho no doce mar salgado
Imersos nossos corpos se deleitam
E se abraçam
Num laço de amor imperfeito
Mas em silêncio profundo,
Onde o tempo pára, e o mundo finda
Só restamos nós, na calma do momento.
Violeta de Sousa
Mulher Mar
Metade bronze, meia de prata
Tua cauda serpenteia como leques
Entre as dunas na areia...
A brisa suave te afaga
Teus fios de seda penteia
De rocha em rocha...
Num mar de lágrimas mergulhas
Cabelos ao vento ondulam
E se embrulham
Espraiando-se... na areia
Bela, exótica, mística
Sereia!
Mistério que encanta
Dançando com as ondas
Num canto sem fim.
Violeta de Sousa
Ode à Primavera
Árvores despidas ao tempo
Pelo vento...
Num murmúrio por sonhos levados
Lua cheia de lágrimas
Caindo num manto
Verde miragem...
Onde os esquilos se esquivam
E trepam céleres e audazes
Troncos nus aguardam em fleuma
Prima florida e bonançosa
Metamorfose da vida
Ventos sussurram segredos
Folhas dançam em memória breve,
No silêncio, a vida renasce leve.
Violeta de Sousa
